Colônia Cecília

E se fosse possível recomeçar do zero? Sem patrões, sem padres e sem governo.

No final do século XIX, um grupo de imigrantes italianos desembarca no interior do Paraná com essa missão audaciosa. Liderados pelo idealista Giovanni Rossi, eles buscam fundar a Colônia Cecília — uma comunidade anarquista experimental onde tudo seria de todos, as decisões seriam coletivas e as relações seriam guiadas pelo “amor livre”, longe das amarras da Igreja e do Estado.

Mas o paraíso tem um preço.

Neste romance histórico visceral, Afonso Schmidt — ele mesmo um simpatizante do anarquismo — dramatiza a história verídica desta que foi uma das mais radicais utopias tentadas em solo brasileiro.

“Colônia Cecília” narra a luta brutal pela sobrevivência contra a fome, a terra infértil e a hostilidade do mundo exterior. Mais do que isso, explora os conflitos que nascem por dentro: o ciúme que corrói o “amor livre”, a inveja que desafia a propriedade coletiva e a dura realidade que testa os limites do ideal.

Um romance poderoso sobre a distância trágica entre o sonho da liberdade absoluta e a complexa natureza humana.

Tesouro de Cananéia

Qual é o verdadeiro Tesouro de Cananéia?

Nesta coleção de doze contos, a resposta raramente está em mapas ou arcas de ouro. O tesouro se revela nos detalhes da alma humana, nos encontros fortuitos e nos mistérios que se escondem nas ruas e nas vidas comuns.

A jornada começa no litoral, em “Cananéia”, mas logo se aprofunda nos tipos que formam a multidão. Das crenças que movem “O Santo” aos segredos místicos de “Os Magos” e “São Nicolau”, o fantástico colide com o concreto de um “Obelisco” e a rotina de uma “Turma 12”.

As páginas são povoadas por figuras inesquecíveis: a força de “Chico Chicote”, a melancolia do “Homem da Rabeca” e a luta diária do “Vendedor de Jornais”. Cada um carrega seu próprio mundo, sua própria busca por algo de “Preciosa”.

Que destino está selado em “Uma Estrela na Palma da Mão”? E que segredos sombrios aguardam em “Sete Sombras numa Embalagem”?

“O Tesouro de Cananéia” é um mosaico de vidas. Doze narrativas que provam que as maiores fortunas — e os mistérios mais profundos — se escondem à plena vista, no coração do cotidiano.

Saltimbancos

A lona caiu. As luzes se apagaram. Para o mágico e poeta Aladino, o silêncio do picadeiro é a dura face do desemprego.

Mas ele não está sozinho. Ao seu redor, uma trupe de equilibristas, músicos e palhaços enfrenta o mesmo destino incerto. O que fazer quando a arte que lhes dá vida já não lhes garante o pão?

Em vez de se render, Aladino propõe uma aventura: reunir os companheiros desempregados e cruzar as estradas poeirentas do interior. O plano é arriscado: criar um novo circo mambembe, levando sua magia de cidade em cidade, vivendo de aplausos e da teimosia da esperança.

Publicado em 1950, “Os Saltimbancos” é a comovente jornada deste grupo de artistas. Numa narrativa que equilibra o lirismo e a dura realidade social, Afonso Schmidt nos leva para os bastidores da vida boêmia, explorando a camaradagem, os desafios financeiros e a resiliência inabalável daqueles que se recusam a deixar a arte morrer.

Uma ode ao espírito livre e à luta diária pela sobrevivência, provando que, para o verdadeiro saltimbanco, o espetáculo tem que continuar.

Bom Tempo

O livro “Bom Tempo”, d Afonso Schmidt, surgiu de uma série de aventuras que o autor vivenciou e tendo como fio condutor a sua atuação nas redações dos jornais impressos. Engana-se quem pensa que o livro apresenta apenas uma biografia. Schmidt, de forma genial, concebeu o livro através de histórias que despertam o interesse num crescente. A narrativa limpa convida o leitor a conhecer o dia a dia de pequenas redações, os que nela trabalham o os vários personagens que cruzam seus caminhos. “Bom Tempo” pode ser considerado uma homenagem aos profissionais que exercem o jornalismo.

A Marcha

O livro “A marcha”, de Afonso Schmidt, possui os elementos para reter a atenção do leitor desde suas primeiras linhas. A história trata dos últimos anos que levaram à queda do deplorável ecravismo brasileiro. O protagonista, Alvim juntamente com sua namorada, Lu, fazem parte de um grupo denominado “caifazes”, os responsáveis por incentivar que escravizados fujam das fazendas. Ambientado, na cidade de São Paulo e cidades do interior, o romance apresenta aventura, tensão ao narrar a jornada que os escravizados percorreram para alcançar o Quilombo do Jabaquara,
em Santos.

Resumo Executivo de Cubatão

Este Resumo Executivo traz a síntese do Diagnóstico Urbano Socioambiental Participativo do Município de Cubatão (Relatório de Cubatão), parte do projeto Litoral Sustentável – Desenvolvimento com Inclusão Social. O litoral paulista tem experimentado grandes transformações nas últimas décadas, com processos de urbanização, muitas vezes desordenados, com forte impacto na vida de quem mora, trabalha e frequenta a região. Agora, um novo processo de transformação está sendo impulsionado pelos projetos em curso, como a exploração do pré-sal e a ampliação e modernização de rodovias e áreas portuárias.

Tais mudanças reforçam a necessidade de se pensar e planejar o futuro, avaliar os impactos socioambientais dos grandes empreendimentos e procurar formas de impulsionar o desenvolvimento sustentável local e regional e também de conter ou mitigar efeitos negativos. Nesse contexto de grandes transformações, é essencial articular o conjunto de iniciativas que vêm sendo realizadas pela sociedade e administrações públicas e identificar novas ações necessárias que garantam cidades mais justas, mais bonitas e mais saudáveis. O projeto Litoral Sustentável insere-se nesse contexto de intensas mudanças e objetiva contribuir no desenvolvimento sustentável da região. Proposto pelo Instituto Pólis e apoiado pela Petrobras, o projeto iniciou-se com a construção de um diagnóstico urbano socioambiental participativo dos municípios do Litoral Norte e da Baixada Santista1, articulado com a construção de um diagnóstico da região.

Estes diagnósticos suportarão a elaboração de agendas de desenvolvimento sustentável (segunda etapa do projeto) e a implementação de um Observatório (terceira etapa do projeto). Serão desenvolvidas treze agendas municipais e uma regional, que corresponderão a documentos construídos a partir do debate com a população, visando a definição de ações e de suas condições de implementação (atores estratégicos, meios financeiros e horizontes temporais), considerando ainda o mapeamento de projetos e ações convergentes existentes.

A proposta de “Observatório Litoral Sustentável” surge como instrumento de disseminação de informações, espaço de interação entre diversos agentes locais da sociedade civil e dos governos, fomentando a gestão e análise compartilhada da informação e assegurando o monitoramento e acompanhamento da implementação das agendas desenvolvidas e pactuadas ao longo da segunda fase do projeto.

A gestão ambiental do pólo industrial de Cubatão a partir do programa de controle da poluição iniciado em 1983: atores, instrumentos e indicadores

Destaca a necessidade de polfticas públicas e de uma gestão ambiental adequadas para a promoção do desenvolvimento sustentável, a partir da avaliação da experiência de controle da poluição em Cubatão, do inicio do Programa de Controle da Poluição Ambiental. em 1983. a. 2035. Objetivo – Descrever os resultados alcançados em Cubatão, sob o enfoque do desenvolvimento sustentável, por meio de indicadores ambientais, econônúcos, sociais e institucionais, avaliando os instrumentos utilizados e o papel desempenhado pelos atorres envolvidos, bem com obter a visão d.ses atores sobre . fatores determinantes desses resultados. Verificar a suficiência das informações existemes para a avaliação do progresso do município na direção do desenvolvimento sustentável e a possibilidade de proposição de indicadores. Identificar a visão da coletividade sobre a gestão ambiental do pólo industrial de Cuba. desenvolvida nos anos mais recenres do período da pesquisa. Métodos – Dados secundários obtidos de fontes bibliográficas e dados primários obtidos pela aplicação de questionário a população constituída de pessoas dos diversos setores envolvidos na evolução do controle da poluição em Cubarão. Os resultados deste foram analisados quantitativamente, por cálculos percentuais, bem como qualitativamente, pela metodologia do discurso do sujeito .letivo. Resultados — Houve melhoria dos indicadores ambientais e econômicos de Cuba.. porém . sociais e institucionais não acompanharam essa evolução. O Programa de Controle da Poluição executado pela CETESB foi o instrumento mais importante utilizado, rendo fundamental a atuação desse órgão, em conjunto com a sociedade civil. Essa também foi a visão dos atores envolvidos. N. foi possível encontrar indicadores suficientes para a avaliação do desenvolvimento sustentável em Cuba., sendo necessário propor indicadores. Segundo . partici,tes da pesquisa, a gestão ambiental do pólo industrial de Cubarão apresenta diversos problemas. rendo enfatizada a gestão em consonância com . exigências do desenvolvimento sustentável como o melhor caminho para o município. Conclusões — Os danos demonstram que o desenvolvimento do município não vem sendo efetuado em bases sustentáveis, sendo fundamental para tanto a atuação integrada e pró-ativa . setor governamental. empresarial e sociedade civil. bem como a existência de instrumentos adequados. As informações existentes sobre o município são insuticientce, havendo necessidade de um sistema . informações adequada Segundo o discurso . sujeito coletivo produzida a gestão ambiental do pólo industrial de Cubarão deve ser fundamentada na hannonização de objetivos ambientais, económicos e sociais.

Descritores: Cuba. Controle de poluição: Gestão ambiental: Desenvolvimento sustentável; Indicadores.

Entre Estatais e Transnacionais: O Pólo Industrial de Cubatão

Cubatão, município paulista localizado na raiz da Serra do Mar, entre o porto de Santos e o Planalto Paulista, tornou-se, em pouco mais de duas décadas (1951-1977), numa das maiores cidades industriais do Brasil: em 1985, era o terceiro município paulista em Valor da Produção Industrial, segundo o IBGE. A pergunta que surge, então, é: por que Cubatão? Por que justamente ali, numa estreita faixa de apenas seis quilômetros de extensão, instalaram-se o primeiro pólo petroquímico brasileiro, uma siderúrgica de grande porte, e o maior complexo de fertilizantes do país? A resposta para essa pergunta permite uma pequena lista de vantagens locacionais que o município possui; no entanto, uma dessas vantagens se destaca em relação às outras: Cubatão possuía, antes da chegada das grandes indústrias petroquímicas, a maior usina hidrelétrica do país, a Henry Borden. A primeira grande indústria que se instalou em Cubatão, e que detonou todo o processo industrial seguinte, a Refinaria Presidente Bernardes, tem como principal fator de atração a presença da usina hidrelétrica, e que por isso, localizou-se ao lado da mesma.

Todo esse crescimento industrial, porém, teve um preço muito alto: a poluição atmosférica, hídrica e do solo. A cidade é classificada, no início dos anos 80, como a mais poluída do mundo, ganhando a capa de revistas de todo o planeta. A grande divulgação na mídia faz com que o governo do Estado de São Paulo, através da Cetesb, em 1984, lance um programa rigoroso de controle da poluição na cidade. Quatro anos depois, o programa já era considerado um sucesso no controle da poluição, embora isso tenha afastado a instalação de novas indústrias de grande porte.

Nos anos 90, o Pólo Industrial de Cubatão foi obrigado a se modernizar e aumentar sua produtividade em função da abertura econômica do país, bem como da sobrevalorização da moeda nacional (entre 1994 e 1998). Ao contrário de outros municípios paulistas, Cubatão não passou por um processo de desindustrialização. O pólo cubatense fechou a década de 90 e entrou no novo século batendo recordes de produção, chegando próximo ao desejável “crescimento sustentado”: produção industrial em expansão sem agredir o meio-ambiente. A deterioração do meio-ambiente, atualmente, em Cubatão, é causada pelas favelas, que vêm ocupando irregularmente mangues, morros e encostas da Serra.

A fabricação de uma cidade tóxica: A Tribuna de Santos e os desastres tecnológicos de Cubatão (Brasil) na década de 1980

Este artigo discute a fabricação do Município de Cubatão, Brasil, como espaço tóxico e de poluição na década de 1980. Entende-se a toxicidade como uma construção ao mesmo tempo material e discursiva, baseada nas ansiedades da sociedade industrial. Para discutir a questão, utiliza-se o jornal A Tribuna de Santos, que foi o principal espaço de publicação de matérias sobre desastres ambientais na região. O texto discute o tema levando em consideração a relação entre desastres ambientais e perspectivas desenvolvimentistas articuladas durante o mais recente regime autoritário brasileiro

PAISAGEM INDUSTRIAL EM CUBATÃO-SP: O caso da Companhia Fabril e da Usina Henry Borden

A construção da paisagem industrial no município de Cubatão-SP resultou dos processos de modernização industrial do Brasil, especialmente a partir de princípios do século XX, quando ocorre a concentração industrial no Estado de São Paulo. Atualmente, o legado desse processo histórico é uma paisagem marcadamente industrial, ainda pouco conhecida e valorizada em grande parte devido às tragédias ambientais que atraíram mais a atenção e terminaram se sobrepondo aos aspectos históricos e arquitetônicos relacionados. Buscando uma maior compreensão e reconhecimento da relevância dessa paisagem, esta Dissertação tem como objeto o estudo da formação da paisagem industrial de Cubatão a partir dos fatores históricos e territoriais que resultaram na formação do Polo Industrial, em 1980, destacando dois importantes testemunhos edificados: a antiga Companhia Fabril do Cubatão (depois Companhia Santista de Papel, atual MD Papéis) e, a Usina Henry Borden, na produção de energia. O recorte temporal da pesquisa, embora não desconsidere processos históricos mais amplos, ressalta fatos ocorridos a partir de princípios do século XX, quando se intensifica a modernização da indústria no Brasil, e que por ter maior concentração em São Paulo, atinge também aquela região. A Baixada Santista é composta por nove municípios1 , entretanto, aqui o recorte espacial apresentado tem foco nos municípios de Santos e Cubatão, uma vez que o primeiro, detentor de um dos principais portos brasileiros desde o período colonial, foi o grande impulsionador e articulador do processo de desenvolvimento urbano e econômico que resultou na atual configuração da Baixada Santista, em cujo cenário a industrialização ficou centralizada em Cubatão.
Palavras chave: Cubatão. Baixada Santista. Industrialização. Paisagem Industrial. Legado Material