Cubatão, município paulista localizado na raiz da Serra do Mar, entre o porto de Santos e o Planalto Paulista, tornou-se, em pouco mais de duas décadas (1951-1977), numa das maiores cidades industriais do Brasil: em 1985, era o terceiro município paulista em Valor da Produção Industrial, segundo o IBGE. A pergunta que surge, então, é: por que Cubatão? Por que justamente ali, numa estreita faixa de apenas seis quilômetros de extensão, instalaram-se o primeiro pólo petroquímico brasileiro, uma siderúrgica de grande porte, e o maior complexo de fertilizantes do país? A resposta para essa pergunta permite uma pequena lista de vantagens locacionais que o município possui; no entanto, uma dessas vantagens se destaca em relação às outras: Cubatão possuía, antes da chegada das grandes indústrias petroquímicas, a maior usina hidrelétrica do país, a Henry Borden. A primeira grande indústria que se instalou em Cubatão, e que detonou todo o processo industrial seguinte, a Refinaria Presidente Bernardes, tem como principal fator de atração a presença da usina hidrelétrica, e que por isso, localizou-se ao lado da mesma.
Todo esse crescimento industrial, porém, teve um preço muito alto: a poluição atmosférica, hídrica e do solo. A cidade é classificada, no início dos anos 80, como a mais poluída do mundo, ganhando a capa de revistas de todo o planeta. A grande divulgação na mídia faz com que o governo do Estado de São Paulo, através da Cetesb, em 1984, lance um programa rigoroso de controle da poluição na cidade. Quatro anos depois, o programa já era considerado um sucesso no controle da poluição, embora isso tenha afastado a instalação de novas indústrias de grande porte.
Nos anos 90, o Pólo Industrial de Cubatão foi obrigado a se modernizar e aumentar sua produtividade em função da abertura econômica do país, bem como da sobrevalorização da moeda nacional (entre 1994 e 1998). Ao contrário de outros municípios paulistas, Cubatão não passou por um processo de desindustrialização. O pólo cubatense fechou a década de 90 e entrou no novo século batendo recordes de produção, chegando próximo ao desejável “crescimento sustentado”: produção industrial em expansão sem agredir o meio-ambiente. A deterioração do meio-ambiente, atualmente, em Cubatão, é causada pelas favelas, que vêm ocupando irregularmente mangues, morros e encostas da Serra.