Projeto do Instituto Afonso Schmidt, liderado pela experiente narradora Nalva Leal, reforça como a antiga arte de narrar é uma ferramenta insubstituível para o desenvolvimento cognitivo e criativo na primeira infância. E a neurociência explica o porquê.
Em um mundo cada vez mais mediado por telas e estímulos digitais velozes, uma voz serena, um olhar atento e o poder de uma boa história resgatam a essência do aprendizado e da conexão humana. Em Cubatão, essa voz tem nome e uma trajetória de mais de duas décadas: Nalva Leal, a principal contadora de histórias do projeto mantido pelo Instituto Afonso Schmidt, uma iniciativa que tem transformado salas de aula e espaços públicos em portais para a imaginação.
Com mais de 20 anos de experiência, Nalva não apenas narra; ela tece universos. Sua atuação em escolas da rede pública do município, bibliotecas e eventos culturais tornou-se um pilar para a formação de centenas de crianças. Em suas sessões, o silêncio atento dos pequenos é quebrado apenas por risadas, suspiros de espanto e a participação entusiasmada, provando que a tecnologia mais eficaz para capturar a atenção de uma criança ainda é a palavra bem contada.
O projeto do Instituto Afonso Schmidt compreende que o ato de ouvir histórias é muito mais do que um mero passatempo. É um exercício fundamental para o cérebro em desenvolvimento. “Quando uma criança ouve uma narrativa, ela não está sendo passiva. Ela está criando imagens mentais, antecipando cenários, conectando-se emocionalmente com os personagens e organizando a sequência lógica dos fatos. É uma ginástica cerebral completa”, explica Nalva, cuja paixão pela arte é visível em cada gesto e entonação.
A importância do trabalho de contadores como Nalva Leal é amplamente endossada por estudos recentes da neurociência. Quando uma criança é exposta a uma história, múltiplas áreas do seu cérebro são ativadas simultaneamente, criando uma rica rede de conexões neurais.
Artigos publicados em periódicos como Psychological Science demonstram que o cérebro infantil não distingue claramente entre ler ou ouvir sobre uma experiência e vivenciá-la de fato. Ao ouvir a descrição de uma floresta densa ou do cheiro de um bolo assando, o córtex sensorial da criança, responsável por processar essas sensações, ilumina-se.
Mais do que isso, a contação de histórias é um catalisador para o desenvolvimento da “Teoria da Mente”, a capacidade de compreender que os outros têm crenças, desejos e intenções diferentes das nossas. Ao acompanhar a jornada de um personagem, a criança aprende a se colocar no lugar do outro, desenvolvendo empatia e inteligência social. A estrutura narrativa, com começo, meio e fim, ajuda a organizar o pensamento lógico e a compreensão de causa e efeito, habilidades essenciais não apenas para a alfabetização, mas para a resolução de problemas em todas as áreas da vida.
A iniciativa do Instituto Afonso Schmidt, personificada na dedicação de Nalva Leal, é um lembrete poderoso de que investir na cultura e na arte da palavra é investir diretamente no potencial cognitivo e criativo das futuras gerações. Em Cubatão, as sementes da curiosidade, da empatia e do pensamento crítico estão sendo plantadas a cada “era uma vez”. E essas sementes, regadas pela imaginação, florescerão em mentes mais preparadas, criativas e, acima de tudo, mais humanas.
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