Afonso Schmidt nasceu em 29 de junho de 1890, no bairro histórico do Cubatão, em Santos, São Paulo, filho de João Affonso Schmidt e Odila Bruncken Schmidt. Desde cedo, demonstrou vocação para as letras e inquietação com as injustiças sociais, marcas que definiriam sua trajetória como um dos maiores intelectuais e ativistas do Brasil no século XX.
Infância e os primeiros passos no jornalismo
Ainda menino, Schmidt exibia sua paixão pelas palavras. Aos 12 anos, produzia jornaizinhos manuscritos, e, aos 13, instalou uma tipografia no porão da casa do pai, onde publicou seu primeiro jornal impresso, do qual desempenhava todos os papéis: diretor, redator, tipógrafo e distribuidor.
Aos 15 anos, assumiu o cargo de secretário no jornal Commercio de São Paulo, onde iniciou sua carreira profissional. Não parou mais. Atuou em jornais de Santos, São Paulo e Rio de Janeiro, como A Tribuna, Diário de Santos, Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo. Na capital carioca, fundou o jornal Voz do Povo, vinculado à Federação Operária, tornando-se um nome de destaque no jornalismo proletário.
Peregrinações e formação ideológica
Adolescente ainda, Schmidt embarcou clandestinamente para a Europa, em busca de conhecimento e inspiração. Lá, enfrentou privações que moldaram sua sensibilidade social e política. Em Portugal, trabalhou como editor; em Paris, enfrentou dificuldades financeiras, chegando a enviar cartas para amigos e figuras influentes, como Dom Luís de Bragança, pedindo apoio.
Suas vivências no Velho Mundo, somadas à sua simpatia pelas causas populares, consolidaram sua afinidade com o anarquismo e o socialismo. De volta ao Brasil, integrou os principais periódicos libertários, como A Plebe e A Lanterna, ao lado de figuras históricas como Edgard Leuenroth e Oreste Ristori.
Literatura e inovação
Schmidt publicou mais de 40 livros, abrangendo poesia, crônicas, romances, contos e teatro. Obras como O Menino Felipe, A Primeira Viagem e São Paulo de Meus Amores revelam seu olhar sensível para o cotidiano e a história.
Sua contribuição pioneira à ficção científica brasileira veio com Zanzalá (1928), ambientado em uma cidade futurista entre as montanhas da Serra do Mar, após a Segunda Guerra Mundial. A obra, repleta de inovações tecnológicas visionárias, é considerada um marco do gênero no Brasil e uma ode à cidade natal do autor, Cubatão.
Luta e reconhecimento
Schmidt foi um combatente ferrenho contra o fascismo e o clericalismo, campanhas que lhe renderam prisões e perseguições, mas também respeito e admiração. Foi membro da Academia Paulista de Letras, que chegou a presidir, e recebeu o Troféu Juca Pato, sendo nomeado Intelectual do Ano em 1963.
Faleceu em 3 de abril de 1964, deixando um legado inestimável para a cultura brasileira. Em sua cidade natal, Cubatão, é homenageado com a Semana Afonso Schmidt, uma celebração de sua obra e memória.
Patrono da cadeira 138 do Instituto Histórico e Geográfico de Santos, Schmidt continua sendo um símbolo de resistência, criatividade e brasilidade, cuja vida e obra ecoam como um chamado à justiça e à transformação social.